2 de nov. de 2009

NOVA GERAÇÃO

Olhos abertos para a nova geração do rock brasiliense. Novamente, foi o Balaio que abriu o espaço para - com todo o respeito - a pirralhada mostrar o que sabe, com o incentivo do Superquadra, Cláudio Bull, e organização de Fábio Barreto, cuja intenção, diz ele, é abrir espaço para as bandas de colégio mesmo!

Foi realmente chocante me deparar com um pessoal tããão jovem. A abertura do evento se deu com pocket-show de Clemente e a banda Dona Laura que, parece-me, contavam com integrantes entre 14 a 16 anos. Não peguei os dois shows, mas as duas últimas bandas a tocar foram as mais marcantes de qualquer jeito.

GENITAIS DO CERRADO (GDC)

A banda de faixa etária um tiquinho mais alta, de 17 a 18 anos, começou com um som de características claramente indie, com uma guitarrinha mais pronunciada, mas com letras em português. Muito bom começo.

Depois, porém, perdeu um pouco a coerência, virou meio que uma mistureba de estilos, mas o senso de humor, o cover de Ultrage a Rigor e a brincadeira com Dança do Vampiro (hello, Zé Recado e Tommy Nota já fez isso!) animaram o público até o fim.

No geral a banda tem pegada forte, técnica legal e uma postura roqueira. Há um ano juntos, os integrantes alegaram que sua maior influência é o disco Racional, do Tim Maia, mas isso não ficou óbvio em suas composições, não.

De influências brasilienses, a Watson foi a eleita pela banda, que afirmou também que o som da próxima geração - apesar da força da onda Emo atual - vai ser meio que "vale-tudo".

MEIAS DESCOLORIDAS

Eu não sou muito fã de bandas com trezentos integrantes - com exceção dos Titãs - mas ao bater o olho na banda e ver uma mina no vocal, outra na batera, e dois sax, fiquei curiosa. Os sete integrantes, com idades entre 17 e 18, eram todos fofinhos, bonitinhos, e, aparentemente, sem veia roqueira.

Ledo engano!!! Olhos mais abertos ainda para a Meias Descoloridas!!! Uma mistura super harmônica de sons, a banda animou muito o público, com uma pegada firme, com técnica, mas ainda relax e alta qualidade musical. É uma questão de tempo e maturidade até virarem uma banda altamente phoda.

Influenciada pelo ska, bossa, 60's, indie e até mesmo pelas artes, a Meias tem um ano e dois meses de existência bem afinada. As bandas brasilienses de sua preferência incluem Superquadra, Nancy e Cassino Super Nova.

Perguntados sobre o som da próxima geração, a resposta veio: "nada de emo! Uma música mais alternativa, misturada".

Com um cover do White Stripes e uma versão de The Cure, ganharam meus ouvidos!
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No mais, organizadores e bandas foram uníssonos em um aspecto: falta espaço para som original em Bsb. Os locais existentes, como Landscape, Blackout (que, salvo engano, já fechou), O'Reilley e Stadt Bier têm diminuído a agenda "ao vivo" cada vez mais ou, então, só querem saber de covers.

Tsc, tsc, o que aconteceu com a cidade do rock?

19 de out. de 2009

JAZZ NO BALAIO

O Balaio Café, na 201 Norte, está apostando no jazz, às terças-feiras, para entreter seu público. Ted Falcon e seus convidados arrasaram da última vez, com seu som eclético, tecnicamente impecável, mas com uma levada fusion, com muita mescla de estilo, que deixou tudo bem original.

Vale dar uma passada lá.

PORÃO DO ROCK 2009

O último dia do Porão foi um espetáculo à parte de todo o resto do evento. A pilha das bandas, a atitude do público e a expectativa em relação às apresentações se uniram para criar uma vibe roqueira muito.foda.

PLEBE RUDE

O show da Plebe Rude, que normalmente recebe do brasiliense um arzinho de "ai, de novo?", foi revitalizado pela presença de palco de Clemente, com sua pilha punk rock residual do Inocentes. Ele puxou a galera, pulou no palco, cantou com a alma. Foi pura atitude rock n' roll e sabe-se que é disso que estamos precisando em meio a essa onda emo-pop.

Não dá para desmerecer o vocalista Felipe Seabra que, mesmo rouco, deu seu máximo ao microfone e ainda aproveitou para soltar várias agulhadas bem-humoradas, sendo algumas bem diretas, como a dirigida ao Cachorro Grande que, na noite anterior, esculaxou o trabalho dos roadies por conta de problemas de equipamento.

Alfinetadas à parte, o show, que serviu de grande abertura para o domingo, foi um gatilho para o resto da noite.


PARALAMAS DO SUCESSO

Com toda a carga de drama que Herbert carrega mesmo sem querer, o cara tem um jeito de pegar leve e de levar uma batida rock n' roll. Com um repertório impecavelmente equilibrado entre as clássicas, as pops e as novas, o show oscilou apenas entre pura animação e pura emoção.

A imagem no telão de um menino, que, nem de longe, viveu o início do Paralalamas nos anos 80, mas chorou ao som de "eu sei de onde vem o tiro" foi de tirar o fôlego do público e da banda.

No mais, Paralamas dispensa apresentações. Show de bola!

LITTLE QUAIL AND THE MAD BIRDS

Eu adoro Autoramas, mas que dá uma dó lembrar que Little Quail acabou, dá!

Uma das bandas mais originais, alternativas, loucas, fodas de Brasília, e que não veio dos anos 80 e, sim, dos 90, deu um show no Porão. Pogo compulsivo ao som de 1,2,3,4..., além de clássicos como Dezesseis - uma perfeita homenagem aos endereços cartesianos de Bsb - levaram os fãs e a garotada à loucura.

Pho.da.

RAIMUNDOS

Com todo o respeito ao Digão que, pelo menos mantém no ar as músicas de uma das bandas mais pauleiras e, ao mesmo tempo, populares do país, mas Raimundos sem Rodolfo de frontman é difícil de aceitar.

Puro preconceito? Sim, provavelmente. Mas ninguém há de negar que a empolgação de Rodolfo era parte do conceito da banda, às vezes, mais até que a música.

Ainda assim, valeu. Muito mosh, pogo, som porrada, nostalgia pura!

LEGIÃO URBANA

Falaram que eles vinham. Eu dei de ombros como se fosse a lenda urbana mais absurda do planeta. Insistiram que Bonfá e Dado vinham tocar e que Herbert e outros iam de vocal. Eu pensei: "até parece". Graças a Deus, paguei língua.

Não deixaram barato. O vídeo no telão com entrevistas antigas e documentando a chegada dos integrantes da Legião depois de tantos anos sem um show por aqui - mesmo antes da partida precipitada do seu grande poeta, Renato Russo - levou o público às lágrimas. Não houve marmanjo que se segurasse ao som de Pais e Filhos, Ainda é cedo, e todas as outras músicas-símbolo da Legião.

Inacreditável. Impossível. Mas estava tudo lá, acontecendo, como descreveram na lenda urbana. A cidade criticada por não possuir uma identidade cultural forte estava lá, unida, mostrando a si e ao mundo que senioridade não é só o que garante uma expressão cultural válida.

Estava lá nossa cultura. Unindo nossas tribos Urbanas, a Legião.